segunda-feira, 31 de março de 2008

O comentário mais lúcido

sobre a questão do telemóvel encontra-se no Spectrum:

Eu, na situação daquela professora, teria obviamente optado pela cabeçada-à-cais-sodré, a mais apropriada, não só pela proximidade da aluna, como porque, como é murcona, não deve conhecer o golpe e seria totalmente apanhada de surpresa.*


O melhor artigo ilustrado está no Manual de Deus. Vou já reservar a minha T-Shirt.

*na minha terra chama-se "cabeçada à pontaleiro", e é usada há gerações em diversas situações. O simples facto de ela não ter sido usada contra a prof nesta revela uma grande melhoria na disciplina das escolas portuguesas. Ou então que os bimbos são uns tótós.

Publicidade V - Como bloquear a publicidade no "Arrastão"

... e contribuir para a insustentabilidade da blogosfera.

"Quiet, guys, the commercial's on!
If you don't watch the commercials,
it's like stealing TV!"

A funcionalidade chama-se AdBlock Plus, é um acrescento fácil de instalar no Firefox. Faz com que os sites sejam apresentados sem a publicidade, tornando a velocidade de navegação muito maior (o site do Público, por exemplo, carrega automaticamente videos de publicidade pesadíssimos).

exemplo: Arrastão

Exemplo: Público

Lily Tomlin

I always wondered why somebody doesn't do something.
Then I realized I was somebody.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A crise dos mercados financeiros explicada às crianças e ao povo?

"Quer o leitor que eu lhe explique a actual crise financeira? É impossível! É demasiado complicado. São precisos muitos anos a estudar economia para compreender o que se passou. E se alguém fingir explicar-lhe, estará decerto a manipulá-lo*. Síntese é proseletismo."

Eis o original argumento do neo-liberal ultra-conservador João César das Neves para, à custa da descredibilização da sua actividade como comentador, se esquivar a explicar os falhanços da sua doutrina.

*tal é o caso deste manhoso

Élisée Reclus


*João Pinto, sempre tão preocupada com o semanticamente correcto, podia espreitar a etimologia e a definição da palavra anarquia.
** Muita confusão nesta cabeça. Afinal há um João Pinto (e Castro) que é rigoroso com as palavras, no 5 dias, e no mesmo blogue uma João Pires que cita uma entrevista feita por uma João Pinto a um Tom Holland. Perdão pela confusão e, já agora, pelos artigos indefinidos a precedendo os nomes.

terça-feira, 25 de março de 2008

Terra natal

Porque é que se dão ao trabalho de construir passeios em Faro? Os que têm mais que 20 cms de largura encontram-se constantemente ocupados. E porque é que não se muda definitivamente o nome de "centro histórico de Faro" para "parque de estacionamento a céu aberto de Faro"?

Como o planeamento urbano, também o transporte público é lastimoso. Uma hora e quarenta minutos é o mais rápido que se consegue entre as capitais do Barlavento e do Sotavento. Para os turistas do Surf, jovens mochileiros que querem ver a pila da Europa nem há linha de comboio até Sagres. As cidades são planas mas não cicláveis. Um mínimo de quase duas horas para percorrer os 55 kms que separam Faro de Portimão, porra. Cidades com 50 mil habitantes!

E para cúmulo, nos dias da Páscoa, de grande afluência de turistas, incluindo muitos estudantes em viagem de finalista, em vez de aumentarem a frequência dos comboios e autocarros, diminuem-na para um terço da normal, porque "é feriado"!

Portimão

Quando eu andava no secundário ia-se de bicicleta para a escola pelo menos até aos 16 anos. O parque para bicicletas era grande e estava normalmente cheio, se bem que é verdade que a rainha era a motorizada. Hoje isso acabou. O parque para carros quadruplicou de tamanho. Uma lista candidata a um conselho directivo fazia campanha prometendo lugares de estacionamento para todos. Dizem que é uma questão de prestígio, demorar 5 minutos de carro para o trabalho em vez de 5 minutos de bicicleta.

Num dos meus baldios preferidos estão já há um tempo a construir um novo centro comercial gigante, que vai entupir ainda mais a sobrelotada V6. Já se vão vendo encasinamentos fora da época alta. E a cidade é plana. E as ruas do centro são estreitas. E há uma ponte em que só podem passar bicicletas. E só os ucranianos é que andam de bike como transporte. Os mesmos ucranianos cujos filhos se queixam da escola ser demasiado fácil e de haver muita indisciplina nas escolas portuguesas. Os filhos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

Da distorção

Este artigo é sobre duas palavras antónimas, uma com conotação positiva, outra com conotação negativa. No nadir dos tempos que atravessamos, os seus significados precisaram de ser alterados pela novilíngua do conservadorismo e da tracanhez, apesar das definições encontradas no dicionário continuarem a ser as originais. São elas:


cosmopolita | s. 2 gén. | adj. 2 gén.
do Gr. kosmopolítes

s. 2 gén.
,

pessoa que se considera cidadão do mundo e que em toda a parte tem conhecimentos adaptando-se facilmente aos costumes das diferentes terras por onde passa;


A palavra cosmpolitanismo define-se perfeitamente como o antónimo de patriotismo. Uma palavra de conotação tão positiva e com um significado que dá tão pouco jeito à tacanhez teve obviamente que ser remodelada pela novilíngua. Assim, é recorrentemente usada como sinónimo de sofisticação, e não é nada incomum ver a burga lisboeta revelar-se cosmopolita e ao mesmo tempo nacionaleira, patrioteira, pouco viajada, ultra-intolerante quanto a outras culturas, racista, xenófoba, a abanar a bandeirinha da selecção nacional de futebol sempre que surge a oportunidade.


chauvinista | s. 2 gén.
do Fr. Nicolau Chauvin

s. 2 gén.
,
pessoa de nacionalismo e patriotismo exagerados, que os defende de uma forma agressiva.

É quase inacreditável como esta palavra possa ter conotação negativa nos dias de hoje. Ser exageradamente patriota, um defeito? Nem um esquerdista como Alegre admitiria isso! Esta palavra e a sua conotação negativa só podem ter sobrevivido à custa de uma distorção brutal do seu uso corrente:
Hoje, é usada como sinónimo de misógino.

terça-feira, 18 de março de 2008

É cramado,pá ...

Este senhor chama-se Jim Cramer. É um guru do investimento. Hedge Funds em particular. Na Sexta Feira aconselhou os investidores:

"Retirar o dinheiro da Bear Stearns? Não! Isso seria uma parvoíce. Está tudo óptimo com a Bear Stearns!"

Ontem as acções caíram 92%.

Ser Cramado (to get Cramed) - signfica perder milhões na roleta ao seguir conselhos deste tótó, ser tramado pelo Cramer.

Na banca de investimento, é melhor seguir os conselhos da Kika.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Demanda Filosófica

O argumento utilitarista para justificar filosoficamente a ganância ...




... por Gordon Gekko.

Não chega. Neste momento a aposta é tornar a ausência de ganância moralmente reprovável. E o altruísmo também.

Ainda sobre propriedade

Imagine:

Desde que se lembra habita num espaço alugado. Desde sempre usufruiu dele através de um acordo de renda com o proprietário, que gostava de o ter como inquilino e sempre renovara o contrato.

Um dia dizem-lhe que, sem o conhecimento do senhorio* com o qual tinha o acordo, o Estado decide oferecer a propriedade a outro dono.

Para mais, o Estado dá "legitimidade" ao novo dono para o expulsar. Pior, não lhe dá só "legitimidade", dá-lhe os meios para o fazer! O Estado incumbe-se da tarefa e com violência corre-o a si e à sua família à pancada da casa que habita há 165 anos.



A juntar a isto tudo, imagine que os que defendem esta acção se auto-denominam liberais, dizem-lhe que são por um Estado mínimo, e chamam-lhe a si ocupador e invasor.

*esclarecimento: é a minha interpretação disto

sexta-feira, 14 de março de 2008

Provocação Religiosa

Simbologia ateísta nos autocarros da Carris

A perniciosa intromissão estatal e a propriedade privada


Uma mulher indígena segura a sua criança enquanto tenta resistir ao avanço da polícia, que tenta expulsá-la de um terreno privado.

Redacções preguiçosas

Alguém me explica como funcionam as redacções dos jornais da rede? É que, atentando nestas peças do Diário Digital e do Público, limitam-se a fazer copiar e colar.

De que serve um jornalismo assim? Como posso confirmar a minha suspeita de que esta notícia é um exagero estúpido para fazer passar a ideia da ditadura higienista? De que serve haver 30 jornais se só há uma equipa de jornalistas?

Sacos de Plástico

Infelizmente, sou cliente da cadeia Continente, do nosso amigo Belmiro. Não por considerá-la melhor, mais barata do que as outras (na realidade, dá-se o contrário), mas por terem o único supermercado na zona onde moro. Na minha morada anterior, na Holanda, não havia grandes superfícies, o que permitia às pessoas maior escolha entre as muitas pequenas superfícies ao seu dispôr, deslocações rápidas a pé para ir às compras, enfim, coisas arcaicas que em Portugal começámos a ultrapassar nos anos oitenta para hoje sermos o país da UE15 em que menos se caminha.

Voltando ao Continente, é notório que não têm a inteligência do cliente em grande conta, dando banhadas em pequenas coisas sempre que possível. Por exemplo, as recargas para o detergente de retrete são mais caras do que o aplicador, que vem com uma recarga grátis; e comprar 2x 100 g de um produto sai geralmente mais barato que comprar a embalagem "económica familiar" de 200 g.

Mas até aí tudo bem. Mesmo que não esteja tudo bem, entra na minha cabeça que quem gere aquilo seja garganeiro. O que é mais misterioso para mim é um fenómeno mais recente, que começou há uns meses: a insistência da parte dos empregados de caixa para que levemos muitos sacos de plástico.

Quando antes o cliente lidava com a torrente de produtos que iam chegando na esteira rolante e passando no leitor de códigos de barra, ajudado esporadicamente pelo diligente funcionário, hoje cada dois produtos, por pequenos que sejam, são postos num saco inidividual. Ainda esta semana chegou ao cúmulo de, depois de eu dizer que não queria levar sacos, a moça pô-los na mesma dizendo "é melhor, para o caso de se derramar".

Como é óbvio que todos os comportamentos dos pobres precários são controlados de cima, desde os comerciais "olá, bom dia" ao "adeus, boa tarde", não tenho dúvidas que este comportamento com os plásticos é política da empresa. Agora falta-me é decifrar o móbil.


Estará a Sonae interessada em construir um empreendimento turístico do género do de Tróia na grande ilha de lixo do Pacífico, uma acumulação de plástico flutuante do tamanho da Península Ibérica?

Será que algum dos leitores do blogue me pode esclarecer?


Ps.: Falando em resíduos ...

quinta-feira, 13 de março de 2008

Soma I


Há vários elementos das distopias de Orwell e Huxley cujo carácter contemporâneo é consensualmente inegável: novilíngua, grande irmão, contracepção. Os termos referem-se a blocos da construção e estabilização de um mundo a que se convenciona chamar Ocidental. Menos comum é falar-se da Soma, o químico tomado voluntariamente pelos escravos da máquina social para eliminar as sensações de desconforto e insatisfação.

Esta semana nos Estados Unidos, uma investigação da Associated Press revelou a existência de tranquilizantes, estabilizadores de humor, antidepressivos e outras somas no fornecimento de água pública de 44 milhões de americanos. Ao que parece, as quantidades consumidas destes medicamentos são massivas ao ponto dos ciclo da água e dos sistemas de tratamento de esgotos não as eliminarem completamente.

O Ocidente não é estável como o admirável mundo. Antes necessita de criar ansiedade galopante para se manter em movimento. Aos limites biológicos da máquina, responde com soma.

O "Nadir dos Tempos" errou

Aqui.

Afinal não foram os agentes que agrediram os grevistas. Foram os grevistas que atacaram a guarda.


Esta história é recorrente: sempre que uma violenta carga policial se torna notícia, surgem como por milagre chagas nos elementos da autoridade. Pergunto-me quais serão os ferimentos diagnosticados pelos seus cúmplices médicos? Lesão por esforço repetitivo nos pulsos de tanto brandirem os bastões?

terça-feira, 11 de março de 2008

Teste de concentração

Aqui.

Dia da Liberdade

Touché!

clicar na imagem, avançar para os 13:50.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A carga pronta

A carga pronta e metida no contentores
Adeus ò meus amores que me vou para outro mundo
No voo nocturno um cargueiro espacial
Não vou nada mal p’ra onde vou, o espaço fundo!

[sucesso no lançamento e início do faseamento do cargueiro espacial europeu]

Olha meu irmão


I anque a ti che importe un pito
Sabrás que é cousa sabida
Que estás incurso en delito de apropriación indebida.


domingo, 9 de março de 2008

Liberal mas não tanto

O Liberal que defendeu com unhas e dentes os presos políticos cabeças-rapadas, acossados pela barbárie do politicamente correcto e vítimas da opressão estatal, ameaça-me com os tribunais do paizinho-Estado por causa deste post. Ele há gente contraditória.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Crescer

Acreditava num mundo sem deuses nem amos, e achava que o autoritarismo era a mais execrável das imoralidades. Acreditava no socialismo anti-autoritário, libertário. Defendia a democracia directa, participada por todos, sem hierarquias. Era militante anarquista, fez parte da redacção d' "A Ideia" e d' "A Batalha". Chamam a isto crescer.

quarta-feira, 5 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

O Preço do Trigo em Euros

Estas conclusões não pedem muita aritmética económica. Por favor, senhores jornalistas trabalhem!

Vindo do Terror

"Todos os católicos vão arder no Inferno."

Não sou eu que o digo, muito menos qualquer mullah "vindo do terror". É o pastor evangélico John Hagee, o mais recente lunático religioso a oferecer o seu apoio a John McCain que "ficou muito honrado em aceitá-lo".


Quem parece não ter gostado muito são os republicanos católicos. O cómico desenrolar da situação, que lança fanático republicano cristão contra fanático republicano cristão, pode ser seguido no não menos hilariante fórum de activismo conservador Free Republic.

*E quem é que se safa da loucura intolerante dos protestantes evangélicos, que agradecem a Deus pela Sida e pelo Katrina? Pois claro, o Povo Escolhido.

USS Sitting Duck VI

A Soberba americana disponibiliza mais um alvo flutuante.

Nunca esqueceremos.
War Nerd