segunda-feira, 24 de setembro de 2007

terça-feira, 18 de setembro de 2007

9/11

Há alguma confusão em relação ao significado desta efeméride. Há quem neste dia recorde o aniversário do golpe militar apoiado pela CIA que põs fim a 150 anos de democracia chilena, instaurando a mais sanguinária ditadura da América do Sul, tão amada pelos nossos liberais católicos. Outros lembram-se do suicídio do brilhante Antero de Quental, o Proudhon português.
A maior parte lembra-se das acções assassinas alegadamente planeadas por um milionário de quem já ninguém parece querer saber, perpetradas por 19 nacionais daquela que é provavelmente a ditadura mais opressiva do mundo, e que desde 2001 foi recompensado com 15 000 000 000$ em armas americanas.

Foi ao ler este artigo do xatoo que me apercebi. Nada disto aconteceu num dia 9/11.
O dia 9 de Novembro é lembrado principalmente como a data da queda do muro de Berlim.

mm/dd/aaaa - O número do mês em primeiro lugar, seguido do número do dia - eis um formato de data singular, uma mania norte-americana (partilhada em todo o mundo apenas pela Micronésia). Parece uma trivialidade fazer notar isto, mas é mais importante do que se possa julgar.

É que, quando tudo parece indicar que os alienados desesperados neo-conservadores se preparam para transformar mais um país numa incubadora de selvajaria fanática, convém lembrar o tipo de provas que nos apresentam para aprendermos a ter medo dos malvados:

Em Fevereiro deste ano representantes das forças militares americanas no Iraque providenciaram as provas físicas cabais de que o Irão estaria a armar milícias xiitas no Iraque: apresentaram à imprensa munições resgatadas a alguns destes grupos que seriam claramente de fabrico iraniano. Rapidamente foram desmascarados quando alguém se interrogou da razão pela qual as armas tinham números de série como LOT:5-31-2006. Mês, dia, ano.

Ps: Não tenho dúvidas que o Irão esteja a intervir no Iraque - seriam loucos em não o fazerem - os religiosos neo-conservadores americanos ofereceram de bandeja ao governo do religioso conservador Amadinejade a oportunidade perfeita para subir de popularidade, garantir a re-eleição, e estender a sua influência na zona. Arroga-se um "presidente de guerra", e utiliza o medo para restringir as liberdades ao seu próprio povo. Como outros.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Águas Turvas

Julho de 2006 - O líder de uma patrulha de franco-atiradores Blackwater USA decide divertir-se. Avisa dois dos seus subordinados que vai à caça, e mata, por desporto, os motoristas e ocupantes de dois veículos. Os seus colegas, chocados, apresentam queixa e são prontamente despedidos.
Dezembro de 2006 - Um mercenário da mesma empresa, bêbedo, abre fogo e mata um civil na zona verde de Bagdade. É trazido rapidamente de volta para os Estados Unidos, impune a qualquer acusação criminal.
Março de 2007 - Um civil iraquiano é morto por conduzir demasiado perto de uma coluna desta empresa, e no dia seguinte, no centro da cidade, dezenas de civís e membros da polícia iraquiana são baleados indiscriminadamente por uma outra coluna.
Setembro de 2007 - 7 civís e um polícia iraquiano são assassinados numa ocasião semelhante.

São alguns casos que ilustram a violência desregrada praticada por estas forças. É certo que a impunidade dos bárbaros recrutados das hordas de Pinochet, do Ku Klux Klan, dos Minutemen, está assegurada. Mas é já um duro golpe para este modelo estratégico que o ministério do interior iraquiano tenha banido a Blackwater de operar neste país.
A espectativa é grande - a Blackwater USA é a maior de todas as fornecedoras de serviços de mercenários, e só por si é a segunda mais numerosa força militar no Iraque (6 vezes mais operativos que o Reino Unido). Pode dizer-se que a sua existência curta como fornecedora deste tipo de serviços depende de forma crítica dos milhares de milhões que ganha com a sua presença no Iraque - só do governo americano contam-se 1 000 000 000 $ em contratos.
É aberto um precedente, e se é decidido expulsar também o pessoal da Aegis UK, que se filma a balear civís (e coloca os vídeos no YouTube), as tropas estrangeiras no terreno ficarão depauperadas em mais de um terço dos seus operativos. A embaixada portuguesa no país fechou por os custos de protecção pagos a mercenários serem impeditivos. A revogação da licença de operação dos "serviços de segurança privados" tornaria em poucos meses o modelo de presença militar americana incomportável.

É devido a esta interdependência que a secretária de estado norte-americano Condolezza Rice está a interceder para que o Primeiro-Ministro Nouri Maliki cancele a decisão.

A delação da Senhora Justiça

Senhora Justiça:
- V! Tem pudor! Tens vindo a trair-me com uma rameira, uma assanhada insolente, de lábios pintados e sorriso sagaz!
V:
- Eu, minha senhora? Permiti-me discordar! Foi a vossa infidelidade que me lançou nos braços dela! Ah-ha! Pensastes que não sabia do vosso caso, mas sei! Sei de tudo! Francamente, nem fiquei surpreendido quando descobri. Sempre tivestes um fraco por homens de farda!
Senhora Justiça:
-Farda? Não sei do que falas! Foste sempre o único para mim! Tu e só tu!
V:
- Mentirosa! Megera! Negais que o deixastes possuir-vos, nas suas braçadeiras e botas militares?! Então?! O gato mordeu-vos a língua? Bem me pareceu! Desmascarada por fim. Já não sois a minha Justiça! Agora sois a justiça dele, deitastes-vos com outro!

Ora, não sois a única a poder jogar esse jogo!
Senhora Justiça (tossindo, atrapalhada):
- Quem é ela, V? Qual é o seu nome?
V:
- O seu nome é Anarquia! E como Amante ensinou-me muito mais que vós. Ensinou-me que a Justiça não faz sentido sem Liberdade. Ela é honesta, nunca faz promessas nem nunca as quebra. Ao contrário de vós, Jezebel! Perguntei-me porque que não éreis capaz de me olhar nos olhos. Agora sei a resposta. E por isso adeus, querida Senhora. Ficaria triste com a vossa partida, mesmo agora, não soubesse que já não sois a mulher que em tempos amei. Deixo-vos um presente final, aos vossos pés.
(V deixa uma pequena caixa de chocolates em forma de coração)
Ah, a chama da Liberdade, tão afável, tão justa! Ah, minha amada Anarquia! "Ó Beleza, que até hoje não vos conhecia!"

Ao Samir, amigos n'O Bitoque e quem mais quiser apreciar esta obra-prima do genial Alan Moore.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Publicidade IV - Como se distorceu tanto a nossa ideia de beleza?

"Todas merecemos sentir-nos bem com o que somos", tranquiliza a multinacional anglo-neerlandesa Unilever na mais recente campanha de publicidade à sua linha de produtos de cosmética feminina.
Há já demasiado tempo que a beleza é definida por estereótipos limitados e sufocantes!
A Unilever opera simultaneamente uma campanha dirigida a outro público-alvo, para a sua gama de cremes de branqueamento de pele Fair and Lovely.
Como diria Bill Hicks, estão neste caso a apontar para um dólar diferente.