sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Levar uma carga de porrada do ceguinho

... ou onde é que foram desencantar a joana amaral dias?

Assisti a semana passada na sic notícias a um seu debate com o peso pluma intelectual josé eduardo martins, que meteu dó. Apesar do seu adversário nitidamente não perceber grande coisa do tema, e estar em posição fragilizada (a de um pseudo-liberalóide do centrão num momento de mega-crise causada pelas medidas que ele e os seus defendem e aplicam), ela conseguiu confundir-se em toda a linha, dar a sensação de não se ter preparado minimamente, e acabar o debate a fazer um ar indignado em vez de argumentar "não acredito no que estou a ouvir, isto é incrível! ai ai, que me dão calores". A sério via-se mesmo a sua cara a ficar vermelha. O incrível é como o adversário se põe tão a jeito por diversas vezes, que qualquer um que tivesse prestado a mínima atenção às notícias o destruiria facilmente, e a gaja em vez disso fica-me a olhar para ele com uma expressão ultrajada de confusão. Houve um momento em que estava tão engasgada de indignação que ficou ao trémulo moderador corrigir eduardo martins quando este, na ausência de uma adversária, já sublinhava confortável que não houve nacionalizações nenhumas no reino unido, que capitalismo=democracia e coisas do género.

6 comentários:

Filipe Abrantes disse...

Eheh, bem visto. Já não é a primeira vez que isso acontece. Muitas vezes ela usa um ar condescendente (com quem está a dar explicações a um aluno burro), ou então começa a dizer-se ofendida por imputações do adversário ou ainda tem a mania de caricaturar os outros.

A gaja é uma vergonha.

Infelizmente (para a minoria), é um bom retrato da maioria dos psicanalistas.

Tárique disse...

pior que isso, Filipe, não só é uma vergonha como oradora sendo ela própria a personificaçáo do epíteto "esquerda caviar" , como, ou estou muito enganado, ou não percebe patavina dos temas que está a debater.

é que até há tipos que a falar às vezes têm um discurso retoricamente fraco, mas nota-se que há conhecimento de causa por trás.
um exemplo disso é o Rui Tavares, que será provavelmente um meus opinadores favoritos mas que quando transporta para a oralidade o discurso escrito o resultado desilude um pouco.

Filipe Abrantes disse...

Penso que nos media há um pouco o dilema do "ou falo [daquilo que não sei quase nada] ou deixo de ser um intelectual_que_debita_sentenças_sobre_tudo_um_pouco". Se eles não falarem sobre tudo um pouco, os media deixam de lhes reconhecer interesse. Pois a lógica dos debates que vemos nos media é a da oposição pura, por princípio, tipo circo romano. Não interessa a substância, tem de haver conflito.

Na direita por exemplo há muito a tendência de se defender o capitalismo/liberalismo pela vertente económica face ao socialismo (ou "economia dirigida centralmente"). Ora, poucos (dos que falam publicamente) têm conhecimentos de economia para isso. Vai daí entram na lógica do confronto, abusam das caricaturas sobre o outro lado, fazem figuras de estilo, enfim. A minha teoria é que muitos direitistas pró-mercado são simplesmente conservadores que não querem que haja efectiva liberdade de mercado. Querem somente preservar a sua riqueza herdada, as suas terras e restantes posses. São conservadores. Daí ser raro ver neles uma defesa ética do capitalismo. Falam com bias pessoal e armam-se em economistas nos debates. Acho triste.

Como disse alguém, mesmo que o socialismo seja mais eficiente e propicie mais riqueza, ele não deixa de ser injusto de um ponto de vista ético.

Outro exemplo à direita. Defendeu-se a guerra do Iraque com argumentos éticos (direitos dos Iraquianos, democracia, etc), mas quando convém (como no caso do Caucaso) estes são esquecidos e a retórica é sobre estratégia, sobre consequências ou sobre a "soberania do Estado Georgiano".

À esquerda, eu gosto da Ana Drago e do Rui Tavares, entre outros (poucos). No Rui Tavares, gosto da honestidade que aparenta, e é um rapaz que mostra estudo dos assuntos (pelo menos relativamente a muitas vacas sagradas da esquerda que escreve por aí, Carrilho, Soares obviamente, e outros dos consagrados). Já a Joana Dias, acho que é mesmo uma vergonha.

Tárique disse...

Concordo contigo em quase tudo. Em particular gostava de acrescentar que o reverso da medalha da direita conservadora dita liberal é que os, digamos, progressistas, se colocam argumentativamente como espécie de espelho dessa direita. a "esquerda" 5dias por exemplo, não tem o coesão ideológica excepto ser contra a direita conservadora. E como o simétrico de uma incoerência é ele próprio uma incoerência ...


Excepções em que não concordo consigo:

- é verdade que a variante do socialismo que se tornou ortodoxa falha eticamente. no "meu" socialismo (proudhiano, por assim dizer) não encontro falhas éticas (nem costuma ser atacado por aí, mas antes pela "praticabilidade" ou por não trazer em anexo um modelo de sociedade - disso o rui tavares já falou algures)

- não gosto da ana drago. ganhei-lhe pó nas minhas directas a estudar enquanto ela discutia trivialidades na tv com o daniel sampaio e o luís osório. reconheço no entanto que está a ano-luz da pobre jad.

Wyrm disse...

Que escândalo Tárique!
A Ana Drago é uma babe Bairro Alto!
De resto até um grunho como eu consegue meter na ordem qualquer liberaleco fora de prazo, o que confirma muita coisa acerca da Joanita, babe mais 24 de Julho/Linha...

M. disse...

A Joana Amaral Dias personifica como nós, socialistas, andamos a ser tão papados, que uma social democrata daquelas representa a "esquerda".
Até meteu dó. Surreal é a maneira como é o Mário Crespo a defender a nacionalização da Galp.
Fiquei com vontade de vomitar.