sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sacos de Plástico II

Já aqui tinha dado conta da estranha política de promoção do saco plástico da Sonae. Lembremo-nos que a cadeia de hipermercados de Belmiro de Azevedo, que em tanta campanha de greenwashing marketing investe, não só não faz o mínimo por uma eficaz redução da utilização de sacos descartáveis (ao contrário do MiniPreço, Lidl, Pingo Doce), como há meses boicotou e anulou activamente uma medida governamental que, na linha do que foi feito em muitos países da UE, seria eficaz para resolver o problema.

Surge agora nos sacos impingidos aos clientes nas lojas Modelo e Continente, em letras garrafais a designação DEGRADÁVEL, enquadrada em simbologia ecologista. Sacos plásticos degradáveis?

Os milhões de toneladas de sacos que a cadeia vai continuar a usar são de Polietileno de Alta Densidade (também está escrito nos sacos, mas em letras que é preciso ver à lupa), um polímero derivado de petróleo, semelhante ao dos outros sacos, ao qual é acrescentado um aditivo, chamado d2w (patenteado e produzido em exclusividade por uma empresa britânica), que permite que o saco se desfaça em ambiente oxigenado por um mecanismo cuja descrição se pode encontrar aqui. Da "degradação" resultam, entre fragmentos de polietileno e dióxido de carbono, alguns metais pesados, Níquel em particular, que se entranhará nos solos.

E assim se pauta a responsabilidade ambiental empresarial. Entrava-se uma medida que eliminaria de facto o verdadeiro problema (a produção e utilização de plástico descartável) para se fazer uma campanha acerca de uma "solução" que muda muito pouco, aumentando até os custos ambientais associados à produção e transporte.

Ps.: Se algum químico ler isto, gostava que me explicasse se a adição deste catalisador não irá dar ao mesmo que queimar os sacos, já que consome oxigénio e liberta CO2.

2 comentários:

Rita disse...

serve um biólogo, para explicar que essa estúpida dessa promoção de sacos degradáveis é uma falácia do tamanho de um elefante, porque tudo é degradável, inclusive os resíduos nucleares, algumas coisas demoram é 40 000 anos...? é como a etiqueta "produto natural"... enfim...

Vasco disse...

O problema é que o leigo não vai compreender a diferença entre degradável e biodegradável. Entendem tudo por igual...