terça-feira, 13 de maio de 2008

Investimento público?

Num artigo repugnantemente demagógico no Público (edição impressa) de hoje, Helena Matos equipara o investimento público num urbanismo mais amigo da bicicleta e transportes públicos que se vem dando na Europa à reprovação das mulheres conduzirem automóveis, vigente no tempos do botas* (tempos liberais segundo alguns dos seus colegas). A ideia é que o filha-da-mãe do paizinho-estado não tem nada que promover um meio de transporte em detrimento do outro.
Do que, como é apanágio dos hipócritas da sua laia, Helena Matos se esquece é de que o automóvel só se tornou um meio de transporte conveniente (minimamente) para uso em massa devido a um brutal investimento público na rodovia. Ou achará ela coincidência que o país europeu em que o paizinho-estado construiu mais estradas seja o país em que a utilização do automóvel mais tenha aumentado nos últimos tempos?
Para mais, o Estado fornece uma protecção aos automóveis através de mecanismos como o código da estrada, os parques de estacionamento públicos, as brigadas especiais da polícia para evitar roubo e vandalismo. A somar (ou subtrair) a isto, e dando como exemplo caso nacional, tem-se o investimento na reparação de passeios galgados, nos cuidados médicos e assistência aos 42 000 desastres automóveis por ano, e a perda que são as 5 vítimas mortais por dia da ditadura automóvel.
É o Estado o principal responsável por isto. São os contribuintes que têm que pagar os lucros das empresas de construção rodoviária que, elas sim, ditam totalitariamente a forma de transporte que devemos usar.

[3 autoestradas paralelas entre Aveiro e Porto - o investimento público conlib-friendly]

Vale de qualquer forma a pena ler o artigo desta "liberal" por pérolas como:

[...] querem obrigar os cidadãos de uma cidade quente e inclinada como Lisboa [...] a andar a pé ou de bicicleta como os de Bruxelas [...]

Bruxelas, uma das capitais mais chuvosas e inclinadas da Europa, é realmente mais amiga do peão, do ciclista e do utilizador de transportes públicos do que a infernal Lisboa, cujo espaço urbano deve, segundo Helena Matos, estar optimizado para ser utilizado por 2 milhões de condutores de carros com ar condicionado.

Ps.: Alguém ainda está a contar quanto dinheiro os contribuintes europeus já deram a Auto-Europas e quejandas? Ou quanto pagam os contribuintes americanos para o seu Estado, através do complexo militar-industrial, roubar o combustível necessário para o funcionamento da ditadura automóvel?

Ps2.: Na cassete neo-liberal da Helena Matos não cabe nunca espaço para crítica ao Sol do Mundo que são os Estados Unidos, talvez por isso só se tenha lembrado das medidas europeias para redução do uso automóvel e tenha esquecido que é em Nova Iorque que estão em curso maléficos planos megalómanos para impor o, segundo HM tão europeu, totalitarismo do politicamente correcto.

Ps3.: Façamos o exercício de pensar de forma realmente liberal: o Estado não devia investir em urbanismo, e ao fazê-lo, devia investir no modelo que lhe fique o mais barato possível (que o faça gastar o mínimo em manutenção, custos escondidos, etc.). Assim sendo, um Estado que se quer aproximar do liberalismo deve desmantelar esse sorvedouro de dinheiros públicos que é o sistema de transportes baseado no automóvel. Parece que é assim que pensam os liberais britânicos, mas suponho que estes não colham grandes simpatias dos "liberais" desde-que-dê-muito-lucro-a-poucos-é-bom-e-o-resto-é-socialismo portugueses.

*Ps4: Falando no estado novo, lembremos que nesse tempo era inconcebível, blasfemo mesmo, uma rapariga ser vista a andar de bicicleta (fosse o padre da aldeia ou a professora primária ver, ai jesus!).

Ps5: Acrescentado o link do artigo original. Tem um comentário óptimo do Luís Lavoura:

Uma pessoa depois de ler este texto fica aterrorizada ao pensar como seria a vida em Lisboa, ou nas cidades alentejanas, quando elas foram construídas, tempo em que… não havia automóveis.
Devia ser um horror. As pessoas que moravam na Rua das Pretas e trabalhavam no Campo dos Mártires da Pátria tinham que subir aquela escosta, ao calor escaladante do sol, a pé!!! Que tortura infernal!!! E as que moravam nas escadinhas da Senhora do Monte, que nem de automóvel nem de bicicleta podem ser escaladas? E moravam ali!

[Acrescento eu: E as que ainda moram e não têm automóvel?]

7 comentários:

Anónimo disse...

repugantemente demagógica é a tua prima pá...

de certeza que tens bicicleta e que a usas todos os dias...

não há pachorra...

Goncalo disse...

Acho que a questão é ainda mais simples do que aquilo que referiste: ao Estado convém que toda a gente use o seu automóvel privado, já que do ponto de vista dos cofres públicos essa opção é bem mais vantajoso do que investir em transportes públicos. Entre os impostos de selo, de compra de veículos, sobre os produtos petrolíferos, mais as portagens ou a hipótese de ter de gastar dinheiro a construir novas vias ferroviárias, comprar autocarros e pagar a funcionários, convenhamos que a primeira hipótese é a mais conveniente para o próprio Estado.

Apesar de não acreditar que venha algum dia a existir uma massificação do uso da bicicleta em Lisboa(a cidade não tem condições naturais muito propícias e a forma como o espaço público está organizado também não ajuda), acho que o problema da circulação excessiva de veículos nas cidades resolvia-se num ápice: cobrando portagens à entrada das cidades - nada de especialmente novo, já que os cidadãos da Margem Sul já a pagam há muito tempo - com o dinheiro a reverter na íntegra para a melhoria do sistema de transportes públicos. Convém salientar que os parquímetros e o preço da gasolina começam a ser razões para passar a usar transportes públicos em detrimento do carro. As velhas leis da oferta e da procura não falham.

Temos de olhar para os factos: Lisboa tem problemas de tráfego em muitas zonas, acrescendo de problemas na qualidade do ar nas zonas mais movimentadas (nomeadamente o Eixo Entre Campos - Av. República - Av. Liberdade), motivadas pelo uso do automóvel. Reconhecendo a cada um o direito de usa o carro, é fundamental que esse número baixe e a coisa só lá vai desmotivando esse uso. E não é certamente com túneis do marquês que se reduzem os carros em Lisboa.

Tárique disse...

Anónimo: de certeza que tens bicicleta e que a usas todos os dias...

yep

Tárique disse...

repugantemente demagógica é a tua prima pá...

é possível, mas pelo menos a minha prima não me diz que o problema das bicicletas em portugal é fazer demasiado bom tempo, nem compara a construção de ciclovias ao machismo salazarista, que é o que faz a helena matos.

José M. Sousa disse...

Queria dizer Helena Matos, e não Helena Roseta em «segundo Helena Roseta, estar optimizado para ser utilizado por 2 milhões de condutores de carros com ar condicionado.» certo?

Gonças disse...

Probs: stress, poluição, obesidade, qualidade de vida, aumento da gasolina
solução: bicicleta??

ESTÚPIDO. Não pode ser. Uma solução tão simples é porque não é solução. E o status e a modernidade e tal?

Pensa....deve haver uma solução...

文章 disse...

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