terça-feira, 25 de março de 2008

Terra natal

Porque é que se dão ao trabalho de construir passeios em Faro? Os que têm mais que 20 cms de largura encontram-se constantemente ocupados. E porque é que não se muda definitivamente o nome de "centro histórico de Faro" para "parque de estacionamento a céu aberto de Faro"?

Como o planeamento urbano, também o transporte público é lastimoso. Uma hora e quarenta minutos é o mais rápido que se consegue entre as capitais do Barlavento e do Sotavento. Para os turistas do Surf, jovens mochileiros que querem ver a pila da Europa nem há linha de comboio até Sagres. As cidades são planas mas não cicláveis. Um mínimo de quase duas horas para percorrer os 55 kms que separam Faro de Portimão, porra. Cidades com 50 mil habitantes!

E para cúmulo, nos dias da Páscoa, de grande afluência de turistas, incluindo muitos estudantes em viagem de finalista, em vez de aumentarem a frequência dos comboios e autocarros, diminuem-na para um terço da normal, porque "é feriado"!

Portimão

Quando eu andava no secundário ia-se de bicicleta para a escola pelo menos até aos 16 anos. O parque para bicicletas era grande e estava normalmente cheio, se bem que é verdade que a rainha era a motorizada. Hoje isso acabou. O parque para carros quadruplicou de tamanho. Uma lista candidata a um conselho directivo fazia campanha prometendo lugares de estacionamento para todos. Dizem que é uma questão de prestígio, demorar 5 minutos de carro para o trabalho em vez de 5 minutos de bicicleta.

Num dos meus baldios preferidos estão já há um tempo a construir um novo centro comercial gigante, que vai entupir ainda mais a sobrelotada V6. Já se vão vendo encasinamentos fora da época alta. E a cidade é plana. E as ruas do centro são estreitas. E há uma ponte em que só podem passar bicicletas. E só os ucranianos é que andam de bike como transporte. Os mesmos ucranianos cujos filhos se queixam da escola ser demasiado fácil e de haver muita indisciplina nas escolas portuguesas. Os filhos.