segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sobre a capacidade de adaptação do capitalismo, um post sem links nem imagens cativantes

A partir do momento em que existe uma rede de informação com as características da internet o custo de distribuição e promoção de conteúdos diminui para níveis residuais. Assim sendo, as distribuidoras enfrentam o mesmo problema com que ficariam os distribuidores da fruta do meu avô se existisse um meio de ele a teletransportar gratuitamente para a mesa do consumidor - isto é, são quase inúteis. Se o capitalismo fosse tão flexível à mudança quanto se arroga as distribuidoras seriam lestas a disponibilizar de graça os conteúdos através de páginas com publicidade cujos lucros sobrariam para cobrir os reduzidos custos de promoção e distribuição da música. Mas não.
Face à mudança, o capitalismo estrebuchou. Armou-se com as ferramentas do costume , como a novilíngua e invectivou: "pirataria", "roubo", "direitos" de "autor", "" ┼ PROPRIEDADE ┼ intelectual" (Aleluia, Amen!). Valeu-se depois do mais valioso recurso no seu arsenal: o Estado. Ameaçou, fechou servidores, enviou homens de cara tapada às casas dos criminosos. Por fim, investiu milhões a pôr os D'ZRT a dizer em público que os descarregamentos ilegais os matavam à fome.
Uma década mais tarde alguns começam a adaptar-se, e a rtp já tem canal no youtube.

Subitamente o funesto pirata é um espectador amigo.

2 comentários:

panúrgio disse...

o mal é os funestos piratas não aprenderem nada com isso e assim lá vão bovinamente assitir ao seu show hipermoderno no youtube. uns andam a vender lixo, os outros a comprar

Tárique disse...

Falando em show hipermoderno:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=313621&tema=31